segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um Chapéu, Dois...

Dois meninos de chapéus amarelos, cheirando a mofo cruzaram juntos, a passos largos, o semáforo vermelho, vermelho para eles. Os carros verdes em si mesmos pararam em marcas negras no asfalto, os amarelos, pratas e outras cores, produziram o mesmo cheiro de pneu queimado e marcas negras, bem negras no asfalto preto. Os dois nem tremeram os olhos para os lados, um par deles verde, continuou fixado em seu caminho, o outro também fixado no caminho que avançava, só que castanho escuro, um par também.
Duas pernas, cada um, avançavam as ruas e sinais vermelhos, amarelos, poucos verdes, para eles, cochas grossas e finas, duas grossas e duas finas, nos olhos castanhos, cochas pretas e grossas, no par de verdes, chochas brancas e finas. Mas os pés, esses 41 e 42, 42 verde branco fino, 41 castanhos preto grosso, pareciam cavar o chão pelo qual passavam, como dois cães pequenos e robustos, de pelo branco e fucinho preto. No rosto preto e olhos castanhos, simetria, harmonia entre sobrancelhas e tamanho dos lábios, pele lisa suportada também harmoniosamente por cochas grossas, no rosto branco pintas vermelhas e desequilíbrio proposital entre o tamanho e o lado da franja, rosto grande, cabeça grande inversamente proporcional ao tamanho das cochas que a sustentava. Os pés pequenos demais do par de olhos castanhos fixos no caminho a cada milésimo diferente, eram desproporcionais ao tamanho da cocha, o que fazia com que desse mais passadas desajeitadas que o par de olhos verdes fixos no caminho novo medido por passos dados.
Porém suas cochas compensavam a exaustão, já os olhos presos no rosto branco, por ter os pés maiores, não precisava dar tantos passos, porém sua cocha fina sofria a exaustão de poucos passos dados. Entraram em uma loja e compraram sorvetes. Nada de tão espetacular no mundo hoje, o dia em que a simplicidade virou poema complicado...

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