quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tedmund e a Noite

Não criem grandes expectativas, estou algum tempo sem escrever aqui, mas isso não significa que passei um bom tempo pensando sobre o que postar... mas ai vai.

Ted era um garoto, hoje já não o é. Ted é apaixonado pela noite, até hoje é. Ted dormia de dia apenas para admirar o escuro. Seu pai não entendia o por que do filho ficar horas na janela escura com seus brinquedos, mas para Ted a graça estava em imaginar o que se escondia lá fora, Ted não tinha medo do escuro, era nele que sua imaginação voava, e podia rever os monstros, vestindo aquelas roupas cor rosa e apertadas de balé, os monstros (segundo Ted) odiavam quando ele fazia isso.
Seus amigos, ou melhor seus colegas de classe, diziam que ele era estranho, afinal todos ali tinham medo de escuro, inclusive a professora disse certa vez que já teve medo de dormir sozinha quando criança, por que tinha medo do que se escondia em baixo de sua cama. Ted adorava pensar o que havia em baixo de sua cama, imaginava outras coisas, já que apenas o pó, as teias de aranhas, e suas meias esquecidas não o interessavam muito. Vamos chamá-lo de Ted, pois é assim que ele prefere, acha seu rosto fino demais para ser chamado de Tedmund. Tinha mais cara de Ted (Tedmund soava muito grave, e segundo ele era nome de gente velha, ranzinza e chata).
Seu rendimento escolar era péssimo, a professora devia chacoalha-lo mais de três vezes, berrando bem alto seu nome, para que ele acordasse, quando ele acordava! Pois havia vezes em que a professora desistia de tentar e o deixava dormindo na sala, sua mãe já não sabia mais o que fazer, e também já estava ficando mal sem dormir, já nem trabalhava direito. Ted só queria saber da noite, adorava brincar no escuro.

O pai de Tedmund, ops! Ted, sempre lhe perguntava se ele gostaria que deixasse a luz acessa, assim como o avô de Ted fazia com seu pai quando criança, mas Ted sempre respondia; “Não! Apague por favor pai! Boa noite.’’ – respondia ele já tomado pelo escuro de seu quarto.
Quando Ted ficou sabendo que as corujas viviam de noite cismou que ele poderia ser uma coruja também! Seu pai logo tirou isso de sua cabeça com um argumento bem simples, ele não tinha asas, e seu rosto era fino de mais, não caberia nele olhos tão grandes e redondos, o garoto concordou e tirou tais idéias da cabeça. Mas o que era então se não uma coruja?
Pensou, pensou e de tanto pensar, perguntou a sua mãe o que ele era se não uma coruja do rosto fino e semi-analfabeto em voos? Sua mãe lhe disse bem cansada do assunto; “Você Tedmundo é meu filho! Meu filho! Você não nasceu de um ovo! Por tanto é um garoto, uma criança que precisa dormir a noite como todas as outras! – Ted ficou surpreso com o que disse sua mãe, ele não sabia o que era pior, o fato de saber que era igual a todo mundo, ou o saber que para que tudo fosse normal, teria de dormir de noite, e perder toda a beleza dela.

Havia um amigo do pai de Ted, que era médico, o pai de Ted pediu então alguns conselhos do que fazer com o filho, o médico sugeriu; “Ensine a ele o quanto a luz é bonita! Mostre a ele a beleza de uma vela, por exemplo, logo ele ira ver que é sempre melhor enxergar tudo com clareza!” Assim fez o pai de Tedmund.
Ao voltar do trabalho comprou uma linda vela azul, com estrelas amarelas. Chegando em casa se trancou no quarto com Ted, apagou as luzes, e do nada a luz apareceu, era um fósforo, sua luz no começo parecia que ia se apagar, mas logo a chama encontrou o restante do palito, a luz se fez maior, então ele acendeu a vela, que por sua vez fez uma chama bonita e grande. O pai sacudiu o palito até apagar sua chama, um cheiro de fósforo veio até seu nariz. O pai sorriu com luz no rosto, Tedmund pulou da cama e correu para bem perto da chama, estendeu o dedo, mas era quente demais, olhou para o pai e sorriu de volta, os dois ficaram admirando a vela durante um bom tempo. Parecia-se muito quando acaba a força em cidade grande, a casa se enche de velas, quando a luz volta, não dá vontade de apagar...
A vela foi derretendo e derretendo até se apagar... o pai já havia dormido, Ted em seu colo viu quando o pavio, já não mais tendo onde se apoiar, caiu na cera que ele próprio havia derretido e se afogou...
Ted sorriu e disse ao pai; “Olha pai, a vela se afogou no próprio cuspi!!!!! Ahahaha...”
Seu pai resmungou qualquer coisa, de novo Ted voltou a se apaixonar pela noite e o escuro. Quando o dia veio Tedmund dormiu, ansiando para que a noite viesse a galope.

O fato é que ninguém discordou do que Tedmund disse, que ele adorava velas “por que elas faziam tanto luz, quanto escuro!”;

Há chamas que permanecem, até mesmo depois de apagadas...

3 comentários:

  1. Tedmund...
    gostei desse conto!
    Tenho que tirar o chapeu (se eu usasse um, claro!)para o Bruno!
    Até mais! quem sabe não nos trombamos em um Universo do meio por ai!

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