sábado, 18 de setembro de 2010

Semelhanças

Em um ringue;

O Juiz diz, pode bater a vontade.
Os dois homens riem feito feras, a boca se enche de água, tamanha a vontade de bater no oponente.

O Juiz:
Vale da cintura para baixo, genitais, arrancar os cabelos, morder, os olhos também estão valendo e valem muitos pontos. Há uma única regra, não bater em nenhuma parte de seu oponente que seja semelhante a sua.
VALENDO!!!

Os dois estupefatos se olham, a platéia foi ao chão, vaias, latas e copos eram arremessados o tempo todo, o juiz teve de sair do ringue de baixo de forte proteção por parte dos seguranças, os dois homens permaneceram se olhando, procurando uma parte neles que não fosse igual, para na primeira oportunidade o que achasse primeiro socasse-a com gosto. Mas ficaram apenas se olhando.
O estadio se esvaziou, e a primeira gota de suor desceu do rosto de um deles, como poderiam brigar assim, se olhavam feito estranhos, eram estranhos um ao outro, mas havia algo neles que os deixava identicos, talvez fossem os braços, igualmente fortes, e também por serem dois braços, talvez as duas pernas, ou até mesmo os dois olhos, mas havia algo de mais semelhante que eles não sabiam explicar o que era. Os seres humanos do nosso século se descobrem procurando no semelhante aquele que não o é.

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